Reencontro uma amiga querida que acaba de chegar de Londres cheia de expectativas por reconstruir seu coração (e sua vida); outro amigo fala via skype da alegria de conseguir um trabalho de verdade na Austrália; outra, ainda, acaba de voltar para os EUA onde vive cheia de esperança de voltar e outro, que não falo há tempos, soube, vai voltar de Barcelona.
E assim acontecem as idas e vindas entre países, entre cidades. Aprendemos muito, conhecemos pessoas incríveis que, muitas vezes, mudam nossa vida. Vemos culturas diferentes, aprendemos o respeito pelo que é diferente de nós, olhamos por outras lentes.
Ganhamos dinheiro, experiência profissional, mas em algum momento, surgem as perguntas: o que é realmente importante? O que estou fazendo é o que gostaria de estar fazendo neste momento? Quanto de alegria e leveza isso me proporciona?
Como dizia Marco Pólo no livro “As cidades invisíveis” de Ítalo Calvino: “de uma cidade não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas as respostas que dá às nossas perguntas”. E, uma vez que nossas perguntas mudam ou ficam sem resposta, pode ser hora de partir; ir em busca de outros diálogos.
E, então, vem a pergunta mais importante: estou em busca de que? Mesmo que essa pergunta nunca seja respondida porque são demais de muitas as coisas que nos movem, sabemos que todas estão dentro do sonho de sermos melhores que ontem.
“As cidades, como os sonhos”, afirmou Marco Pólo, “ são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas e que todas as coisas escondam uma outra coisa”.
Palimpsesto: do grego antigo παλίμψηστος / palímpsêstos ou seja, "riscar de novo" (πάλιν, "de novo" e ψάω, "riscar"). Sobreposições, intertextualidades.
domingo, 22 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Lugares
Quando se viaja muito, e quando você ama simplesmente passear e se perder, pode acabar nos lugares mais estranhos. Tenho uma atração enorme por lugares. É quase como um vício. Outras pessoas são viciadas em drogas ou futebol (bem, eu tb…), ou dinheiro ou carros ou sucesso ou qualquer outra coisa. Eu gosto de lugares. Fico tão ligado a eles que sinto saudades de uma dúzia de lugares ao mesmo tempo como se fossem minha casa. O que será que os lugares têm? Em primeiro lugar fico muito curioso com eles. É só olhar para um mapa que fico animado com nomes de montanhas, vilarejos, rios, lagos ou formações de terra, desde que eu não conheça e nunca tenha visitado o lugar. Leio os nomes e imediatamente quero ver esses lugares. É a mesma coisa com cidades! Os nomes de bairros, praças, ruas ou prédios evocam um desejo ardente de vê-los. Claro que nem sempre gosto do que descubro. Mas muitas vezes gosto. Será que é sorte? Aprendi através de uma longa experiência de procurar por lugares que se tem a tendência de encontrar exatamente aquilo que você QUER encontrar. Outras pessoas encontram coisas fascinantes também, claro, mas me parece que elas tem resultado diferentes dos meus. Elas têm uma mentalidade diferente, pra começar, e estão procurando por outros encontros. Pessoalmente, pareço ter aprimorado minha noção de lugar para coisas que estão “fora de lugar”. Todo mundo vira a esquerda, porque “ali é interessante”, eu viro a direita onde não tem nada! E com certeza estou de frente com meu tipo de lugar. Não sei, devo ter algum radar dentro de mim que geralmente me guia a lugares que são estranhamente quietos ou quietamente estranhos. Fico ali sem acreditar bem no que vejo… Essa é minha sensação predileta. Talvez você comece a entender de onde vem meu apetite insaciável por lugares que não conheço. Vem do fato de que lá fora no mundo existem os lugares e pontos e espaços mais impressionantes que você nunca poderia imaginar nos seus sonhos, em cores e formas desconhecidas, com os detalhes mais loucos, em constelações impossíveis. Por isso é que não dou a mínima para nenhuma dessas imagens computadorizadas pois em todas elas, hoje em dia o mundo é representado artificialmente, juntado, manipulado, inventado ou composto para criar uma nova realidade. O que tem de tão bom nisso? A realidade que encontro lá fora, de vez em quando, esses lugares estranhos, e quietos são muito atraentes, na minha opinião e muito mais emocionais pela simples razão de que existem. Na maioria do tempo humildemente, às vezes com orgulho, geralmente esquecidos e poucas vezes famosos. Não existe algo mais lindo debaixo do céu de Deus do que a incrível, alucinatória infinita variedade de lugares que realmente existem.
Lugares Estranhos e Quietos
Wim Wenders
Lugares Estranhos e Quietos
Wim Wenders
Assinar:
Postagens (Atom)